Edição Atual
O que mais poderíamos dizer deste livro que se configura um dos maiores clássicos da literatura autobiográfica mundial? Advirto, porém, que o que ele contém ainda está para ser de todo compreendido. Sua leitura se reatualiza a cada tempo histórico produzindo sentidos para a nossa percepção do humano, das relações entre pessoas, da escola, e da ação do outrem em nós. Os encontros de Helen Keller com Anne Sullivan, e os de Anne Sullivan com Helen Keller marcam um tempo histórico naquelas duas existências cujas transformações ali narradas alimentam o nosso devir por alteridade, nos inundam de esperança, nos apontam que é possível nos deixar alterar pelo outro, mesmo com os sentidos da audição e da visão fora do jogo. Que outros sentidos, que outras possibilidades humanas estão implicadas nessa relação? Umberto Eco disse em algum momento que quem lê vive cinco mil anos. Aproveitando essa formulação de Eco, diria que quem lê esse livro se aproxima de importantes chaves de compreensão da existência humana. Vale cinco mil livros, vale cinco mil vidas. Esta tradução é de uma edição alemã que além de fotografias, nos presenteia com uma dedicatória da própria Hellen Keller, americana de ascendência alemã. No texto introdutório, atribui sua ‘alegria espiritual’ à terra de Schiller e Goethe.